sexta-feira, 20 de novembro de 2020

O PAI DAS DUAS IRMÃS

 

“Tem uma história que eu odiava quando era criança. O Conto das Duas Irmãs. Eu odiava o pai na história. Mesmo com as duas filhas sendo maltratadas pela madrasta e ficando à beira da morte, ele fez vista grossa para tudo. Aquele que negligencia e faz vista grossa ao abuso é pior do que a pessoa que abusa. As duas irmãs foram praticamente mortas pelo pai.”

O foco do décimo terceiro capítulo da série Tudo bem não ser normal está na família e relações familiares.

 Ko Moo- yeong tem a ideia de tirar uma foto de família com Gang-tae e o irmão dele, os quais estão morando junto com ela no castelo amaldiçoado. Moram juntos e ela concebe que para ritualizar o fato de serem uma família precisariam de uma foto em família que ficaria exposta na casa. Simbolicamente tem realmente uma importância muito bonita a representação em fotografia daquilo ou daqueles que consideramos admiráveis.

Uma questão árdua abordada nesse episódio é o caso de uma paciente do hospital psiquiátrico com múltiplas personalidades. Revela-se que ela era maltratada pela mãe na infância e o pai não interferia para defendê-la. Como forma de “proteção” desenvolveu o transtorno de múltiplas personalidades. O pai vai visitá-la, entretanto ela tem pavor em encontrá-lo. Gang-tae, o enfermeiro, propõe protegê-la quando o pai se aproxima para que ela possa dizer a ele o que a estava sufocando.

 “Aquele que negligencia e faz vista grossa ao abuso é pior do que a pessoa que abusa”. Essa frase dita no conto narrado no episódio nos leva a refletir sobre algo muito sério: o abuso. O que é colocado em choque é a falta de ação de quem sabe sobre um abuso. Ser cúmplice de algo tão sério e ficar sem atitude. É nossa responsabilidade expor, denunciar, trazer à luz os casos que conhecemos para que sejam solucionados. Não devemos nos calar e ser pior que a pessoa que abusa.

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