sexta-feira, 25 de setembro de 2020

RAPUNZEL E O CASTELO AMALDIÇOADO

 

“Há muito tempo, nas profundezas da floresta, uma garotinha morava em um castelo amaldiçoado. A mãe dela sempre dizia que ela era especial demais para conviver com as pessoas fora do castelo. A mãe disse à filha que ela tinha que viver dentro do castelo. Porém, a garotinha se sentia uma prisioneira. Ela rezava para a Lua todos os dias. ´Por favor, me mande um lindo príncipe que me salve deste lugar. Ele virá hoje? Ele virá amanhã?’ A garotinha esperava pelo príncipe todos os dias”.

 O quinto capítulo da série Tudo bem não ser normal com o conto Rapunzel e o castelo amaldiçoado coloca em evidência mais uma vez a figura do príncipe como salvador. Mais uma vez destaca também o papel de mãe, nesse caso como protetora que quer esconder a filha do mundo que existe fora do castelo.

Ko Moo- yeong levou o irmão mais velho de Moon Gang-tae ao castelo amaldiçoado onde ela morava quando criança e onde se hospedou nessa estadia por sua cidade natal. Moon Gang-tae ao ser chamado ao castelo para buscar o irmão revela que sabia ser Ko Moo-yeong a menina que o salvou quando sofreu um acidente na infância.

Ko Moo-yeong fica surpresa ao perceber que Moon Gang-tae também se lembrava dos acontecimentos da infância. Os dois viveram episódios juntos na infância e ganham a chance de se aproximarem novamente na fase adulta. Cria-se a expectativa de viverem um romance, entretanto não fica claro se isso irá ocorrer nos próximos episódios, essa expectativa, de certa forma,  prende o interesse aos eventos futuros da série.     

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

CRIANÇA ZUMBI

 

“Em uma pequena aldeia, nasceu um bebê. Ele tinha a pele pálida e olhos grandes. Ao criá-lo, sua mãe chegou naturalmente à conclusão de que ele não tinha sentimentos. Ele só tinha vontade de comer, como um zumbi. Sua mãe o trancou no porão para que os aldeões não o vissem. À noite, ela roubava animais para alimentá-lo. Foi assim que o criou em segredo. Ela roubava uma galinha. No dia seguinte, um porco. Vários anos se passaram assim. Um dia, uma epidemia eclodiu. Os animais restantes morreram, bem como várias pessoas. Os sobreviventes deixaram a aldeia. Mas a mãe não podia abandonar seu filho. Para aplacar seu choro de fome, ela cortou a própria perna e deu a ele. Depois, um braço. Ela deu a ele todos os membros. Quando só lhe restava o tronco, ela se aproximou do filho pela última vez para que ele terminasse de devorá-la. Com os dois braços, o menino segurou firme o corpo da mãe e falou pela primeira vez na vida. – ‘Mãe, você é tão quente’. O que o menino queria? Saciar sua fome? Ou sentir o calor da mãe?” 

É sobre filhos que trata o quarto episódio da série Tudo bem não ser normal. São apresentados alguns conflitos dos personagens com os pais. Destaque ao episódio do filho do político interno do hospital psiquiátrico. Moon Gang-tae confronta o político à respeito da necessidade dos filhos serem úteis aos pais. O político, então, agride o enfermeiro com um tapa no rosto. O filho internado no hospital psiquiátrico é considerado um inútil, entretanto são os filhos obrigados a serem úteis aos pais? A servi-los para cumprir seu propósito de filhos? Fica o questionamento para reflexão.

No conto da Criança Zumbi temos uma mãe que literalmente se entrega para ser devorada e saciar a fome do filho. Sabemos de tantas mães que se sacrificam metaforicamente para atender as necessidades de seus filhos. É interessante, porém, parar para pensar se estão interpretando corretamente as necessidades dos filhos ou se, no desespero em fazer seu melhor, nem percebem que a necessidade talvez não fosse a que ela julga. A criança da história talvez quisesse apenas sentir o calor da mãe e não saciar a fome.

Relações entre pais e filhos inevitavelmente geram conflitos e geram marcas. Assim como qualquer outra relação entre humanos nos moldam e faz com que nos tornemos o ser complexo e cheio de questões a resolver durante nossa existência.

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

A BRUXA ADORMECIDA

 

“Há muito tempo, em um castelo nas profundezas da floresta, morava uma princesa que dormiu por muitos anos. ‘Uma agulha em um fuso a matará’. Essa foi a maldição que a bruxa malvada jogou na princesa no dia em que ela nasceu. Com muito medo o rei queimou todos os fusos do reino para evitar a maldição, mas a princesa acabou furando o dedo no espinho de uma rosa dada a ela pela bruxa disfarçada e adormeceu. Os contos de fadas nos dizem que nunca podemos escapar do destino. Isso. O beijo do príncipe. Acho que ele pode quebrar a maldição. Mas não tinha muitas esperanças. Porque... vou matar esse príncipe.”

A bruxa adormecida, terceiro capítulo da série, faz uma ligação com esse conto de fadas e a história de Ko Moo-yeong. O lugar afastado onde vivia a personagem, quando era criança, era conhecido como castelo amaldiçoado. Quando volta a sua cidade natal é nesse castelo que ela se abriga.

Ko Moo-yeong é convidada pelo diretor do hospital psiquiátrico a dar aula de literatura para os internos. Nesse hospital está internado o pai dela ao qual ela não tem afeição. Ela aceita o convite para se aproximar mais de Moon Gang-tae, ele é enfermeiro do hospital.

Ko Moo-yeong provoca Moon Gang-tae em suas conversas chamando-o de hipócrita. Isso o incomoda e o faz pensar sobre suas atitudes e como tem vivido. Em certo momento ao confrontá-lo ela diz que todos somos hipócritas. Nessa concepção apontada pela personagem: vivemos mentiras para parecermos felizes a todos.

Ko Moo-yeong “sequestra” um jovem paciente, filho de um político, que acaba fazendo um escândalo em um comício do pai. Esse paciente sofria com episódios de mania. Estava agitado e feliz e ela, ao abordá-lo para a fuga, o convida a se divertir. Quando chegam ao comício, ela diz: ´vamos nos divertir aqui´.

Moon Gang-tae é quem a persegue para “resgatar” o paciente fugitivo. Depois de solucionado o caso ele se dirige a ela e diz: ´será que devo me divertir com você? ´. Ko Moo-yeong havia dito que ele deveria se divertir, e isso com as outras provocações feitas por ela, o levou a refletir se deveria mudar suas atitudes, se divertir.

Como nos outros episódios percebe-se certa “lição” acarretada com o conto de fadas ou história infantil trabalhada na trama. Dessa vez aparece a figura do príncipe para salvar a princesa amaldiçoada. Essa visão de príncipe, que aprendemos desde cedo, muitas vezes prejudica as mulheres com a construção de um imaginário ideal. Não somente as mulheres, também os homens, estão sujeitos a depositar no outro suas expectativas e esperança de “salvação”, esperança de “final feliz”. Nesse episódio percebemos um questionamento a respeito dessa missão do príncipe com a hipótese da bruxa má o matar. Se o príncipe não existir, ou vier a morrer, a princesa amaldiçoada viverá para sempre infeliz? É preciso refletir sobre essa dependência em relação ao príncipe.

 

 

 

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A MULHER DOS SAPATOS VERMELHOS

 


“A menina usava seus sapatos vermelhos aonde quer que fosse, mesmo em uma igreja temente a Deus. Quando se calçam aqueles sapatos, os pés começam a dançar por conta própria. E você nunca consegue parar de dançar nem tirar os sapatos. Mesmo assim, a menina nunca desistiu dos sapatos vermelhos. No final, o carrasco teve que decepar os pés dela. Mas os pés cortados continuaram dançando com os sapatos. Algumas coisas não se separam, não importa o quanto você tente. É por isso que obsessões são nobres e belas.”

O segundo capítulo da série Tudo bem não ser normal é: A mulher dos sapatos vermelhos. Esse conto, narrado como no parágrafo anterior, encerra o episódio dois. Acontece o lançamento do livro Criança Zumbi da autora Ko Moon-yeong. O irmão de Moon Gang-tae é fã dela e fica feliz ao ser convidado para o evento.

Moon Sang-tae é o irmão mais velho, mas por ter necessidades especiais recebe todo cuidado, atenção e dedicação do irmão mais novo.

No lançamento ocorre uma situação complicada de preconceito e falta de entendimento entre uma família de fãs e o irmão mais velho do enfermeiro. A autora, Ko Moon-yeong, se envolve na confusão o que pode ter repercussões negativas na carreira dela.

Ko Moon-yeong se aproxima de Moon Gang-tae devido à situação de conflito no lançamento. Lembram-se de acontecimentos do passado e percebem que já se conheciam. Não deixam claro essa percepção.

Tudo isso se liga à história da mulher dos sapatos vermelhos. O encontro dos dois parece algo do destino já que “algumas coisas não se separam.”