sexta-feira, 27 de novembro de 2020

A MÃO E O TAMBORIL

 

 

“Era uma vez uma linda bebezinha que nasceu em uma família rica. Ela era perfeita como as magnólias. Sua mãe a amava tanto, que jurou fazer de tudo por ela. Prometeu a ela até o Sol e a Lua. Quando a bebê começou a comer, a mãe ficou empolgada. ‘Minha filhinha. Vou dar tudo o que você quiser comer. Abra bem a boca. Assim’. Quando ela começou a andar, a mãe veio correndo. ‘Minha filhinha. Eu te carrego. Venha. Suba nas minhas costas’. Depois de criar a bebê, sempre provendo tudo de que ela precisava, a mãe disse: ‘Minha querida filha. Agora preciso descansar um pouco. Você pode me trazer comida?’ A menina respondeu: ‘Mãe, eu não tenho mãos. Eu nunca as usei, então elas sumiram’. ‘Então, filhinha, pode me carregar nas costas? Minhas pernas doem’. E a menina respondeu: ‘Mãe, eu não tenho pés. Você sempre me carregou nas costas, então nunca pisei no chão. Mas, em compensação, tenho uma boca enorme’. Então ela abriu sua boca gigantesca. Em seguida, com raiva, a mãe gritou: ‘Você nunca foi minha bebê perfeita. Está mais para um tamboril. Só sabe comer o que ofereço. Não faz nada por conta própria. É um fracasso!’ Então a mãe jogou a bebê no mar longínquo. Desde aquele dia, dizem que os pescadores ouvem o choro de um bebê vindo do mar em dias tenebrosos de ventania. ‘Mamãe. Mamãe. O que eu fiz de errado? Por favor, venha me buscar. Por favor... volte...para me buscar’.    

Essa história contada no décimo quarto capítulo da série Tudo bem não ser normal nos desperta para uma reflexão sobre a superproteção. Fazer tudo para os filhos com a intenção de ser prestativo, amoroso, dedicado, sem ponderar que eles são capazes de fazer por si mesmos, pode acarretar consequências desastrosas. No futuro, assim como a bebezinha da história podem se sentir “sem mão” e “sem pés” por não conseguirem resolver sozinhos suas próprias questões e tarefas. Podemos ampliar nosso olhar para outras relações além dos filhos, em todos os nossos relacionamentos estamos sujeitos a fazer pelo outro aquilo que ele mesmo poderia fazer. Devemos ser sensíveis para perceber até onde vão nossas obrigações e onde começa a dos outros. Fazer tudo pelos outros não é saudável para si mesmo.

O episódio décimo quarto da série trata da relação de Ko Moo- yeong com a mãe dela, a qual foi uma mãe superprotetora. Descobre-se que a mãe que pensavam estar morta estava viva. Cria-se um clima de suspense sobre que maldade poderia ser feita pela mãe da personagem nesse episódio.

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

O PAI DAS DUAS IRMÃS

 

“Tem uma história que eu odiava quando era criança. O Conto das Duas Irmãs. Eu odiava o pai na história. Mesmo com as duas filhas sendo maltratadas pela madrasta e ficando à beira da morte, ele fez vista grossa para tudo. Aquele que negligencia e faz vista grossa ao abuso é pior do que a pessoa que abusa. As duas irmãs foram praticamente mortas pelo pai.”

O foco do décimo terceiro capítulo da série Tudo bem não ser normal está na família e relações familiares.

 Ko Moo- yeong tem a ideia de tirar uma foto de família com Gang-tae e o irmão dele, os quais estão morando junto com ela no castelo amaldiçoado. Moram juntos e ela concebe que para ritualizar o fato de serem uma família precisariam de uma foto em família que ficaria exposta na casa. Simbolicamente tem realmente uma importância muito bonita a representação em fotografia daquilo ou daqueles que consideramos admiráveis.

Uma questão árdua abordada nesse episódio é o caso de uma paciente do hospital psiquiátrico com múltiplas personalidades. Revela-se que ela era maltratada pela mãe na infância e o pai não interferia para defendê-la. Como forma de “proteção” desenvolveu o transtorno de múltiplas personalidades. O pai vai visitá-la, entretanto ela tem pavor em encontrá-lo. Gang-tae, o enfermeiro, propõe protegê-la quando o pai se aproxima para que ela possa dizer a ele o que a estava sufocando.

 “Aquele que negligencia e faz vista grossa ao abuso é pior do que a pessoa que abusa”. Essa frase dita no conto narrado no episódio nos leva a refletir sobre algo muito sério: o abuso. O que é colocado em choque é a falta de ação de quem sabe sobre um abuso. Ser cúmplice de algo tão sério e ficar sem atitude. É nossa responsabilidade expor, denunciar, trazer à luz os casos que conhecemos para que sejam solucionados. Não devemos nos calar e ser pior que a pessoa que abusa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

ROMEU E JULIETA

 

“Parecemos Romeu e Julieta. Tem razão. Os inimigos mortais que nunca deviam ter se conhecido. Não. Eles eram feitos uma para o outro. Foi um destino trágico”.

O décimo segundo capítulo da série Tudo bem não ser normal é Romeu e Julieta. Um romance que envolve problemas entre famílias e que termina de forma trágica. Somos mais apenas que nossa história que escolhemos escrever. Trazemos em nossas vidas, sem perceber muitas vezes, traços de nossos familiares. A família é uma instituição que nos educa e nos molda às suas maneiras. Sim, somos livres e quando adultos fazemos de forma livre nossas escolhas, mas nada exclui a base que a família plantou em nós.

Gang-tae, neste episódio, descobre algo sobre a família de Ko Moo- yeong que o deixa estarrecido. Ele fica muito triste e desesperado. Indaga que estava começando a ter prazer em viver, e de repente, ao descobrir algo tudo desmorona.

A família tem um grande poder e influência sobre nós, entretanto não pode ser uma amarra para nossos planos e decisões. Cada um, enquanto adulto, decide os caminhos que irá seguir.

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

O PATINHO FEIO

 

“Conhece a história do Patinho Feio? Sim. Os outros patos são maus com o patinho feio. Fazem bullying com ele porque ele é diferente. Então ele fica muito sozinho e abandona a família, né? O que acha que teria acontecido se a mãe tivesse dado muito amor ao patinho feio? Ele não teria ido embora. Se um adulto acolher os filhotes, os patos e os cisnes podem conviver juntos numa boa.”

O décimo primeiro capítulo da série Tudo bem não ser normal intitulado O Patinho Feio nos leva mais uma vez a refletir sobre o diferente. Quem é diferente deve ser excluído? Deve viver separado? Acredito que não. Conviver com todos amplia nossa percepção de mundo e nossa sensibilidade. O outro com suas diferenças acrescenta muito a minha vida. Excluir, separar, isolar, nada disso deveria fazer parte das nossas opções de ação.

A pergunta feita por um dos personagens em certo momento desse episódio também é uma boa dica para reflexão: “Você é um adulto que acolhe as pessoas?”