sexta-feira, 30 de outubro de 2020

A MENINA E O LOBO

 

“O menino pastor mentia o tempo todo. Ele vivia dizendo para os aldeões que um lobo tinha aparecido. Sabe por que o menino enganava os aldeões? Porque estava solitário. Ele fazia aquilo porque se sentia solitário nas montanhas. O menino pastor mentia porque estava solitário. Mas, quando um lobo apareceu de verdade, ninguém foi ajudá-lo. Se uma pessoa sequer tivesse acreditado e ido ajudá-lo, o menino não teria morrido.”

O décimo capítulo da série Tudo bem não ser normal nos apresenta a história A menina e o lobo. Assim como em outros episódios a história contada conversa bem com a trama do episódio. A mentira foi contada por Gang-tae ao seu irmão mais velho. Gang-tae saiu para um passeio com Ko Moo- yeong e dormiram fora por uma noite. Gang-tae havia dito ao irmão que havia saído sozinho e ele acabou descobrindo a verdade. Ao descobrir a verdade o irmão mais velho teve um “surto” nervoso. Lembrou de coisas do passado e acabou um bom tempo magoado com o irmão. Foi preciso medicá-lo e deixá-lo um tempo no hospital psiquiátrico para se recuperar.

A consequência da mentira é apresentada de maneira muito forte no episódio. Pensar nos efeitos que a nossa mentira pode causar no outro é nosso dever em nossas relações cotidianas. Bem próximo ao mentir está o omitir. Omitir pode ser ainda mais complicado já que o outro não recebe nenhuma satisfação. Apenas se esconde algo. Às vezes se esconde algo querendo proteger ao outro, é necessário medirmos então, se essa “proteção” dada é melhor que a verdade a ser dita.

Uma frase dita nesse episódio boa para finalizar e ampliar nossa reflexão: “Mau é aquele que não acredita em nada que os outros dizem.”

 

 

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O REI COM ORELHAS DE BURRO

 

“Um homem entra na floresta de bambu e grita: ‘O rei tem orelhas de burro!’ Isso mesmo. Se você guardar um segredo, vai acabar se sentindo sufocado. Precisa contar a alguém para aliviar o estresse.”

O nono capítulo da série Tudo bem não ser normal traz essa breve “lição” ao comentar sobre a história O Rei com orelhas de burro. Guardar um segredo nos faria sentir sufocados, logo existe a necessidade de contar para aliviar. Isso me lembra o processo terapêutico em que falamos com um analista em busca da ‘cura’ de algo que nos incomoda. Realmente, percebe-se esse falar como algo que nos trará benefícios. Obviamente, o falar com alguém capacitado a nos ouvir. Precisamos ser cautelosos com nosso falar, já que nem todos estão capacitados para a escuta.

Em um outro momento do episódio é dita a seguinte frase: “O amor é questão de paciência.” Com certeza paciência é elemento fundamental em nossos relacionamentos. Relacionamentos amorosos, com amigos, familiares e com todos que amamos. A paciência nos faz entender as razões do outro e não sermos precipitados em julgamentos. Paciência para entender o outro e nos entender.

Fiquei curiosa sobre a história do rei com orelhas de burro, não a conhecia e encontrei no site Recanto das Letras:

O REI QUE TINHA ORELHAS DE BURRO

Num reino muito distante

Na Frigias, lá no oriente,

Apolo, em um rompante,

Com Midas foi inclemente.

 

Foi depois de uma disputa

De flautas com Apolo e Pan

Midas que estava na escuta

Disse de quem era fã.

 

Apolo, nada contente,

Com a preferência de Midas

Deu-lhe ali em um repente

Orelhas como espigas.

 

Eram orelhas de burro

E o rei ficou deformado

o rei quis lhe dar um murro,

mas teria piorado.

 

Desde então o rei passou

A usar belos turbantes

As orelhas ocultou

E era sempre elegante.

 

Só o seu cabeleireiro

conhecia o segredo

E sendo bem fofoqueiro

Só não contava de medo.

 

O cabeleireiro então

Teve uma ideia genial

Fez um buraco no chão

No meio de um matagal.

 

Ali então o fofoqueiro

Falou quase num sussurro,

Como para o mundo inteiro:

“Midas tem orelhas de burro”!

 

Depois tapou o buraco

Com aquele seu segredo,

Cabeleireiro velhaco,

Já não sentia mais medo.

 

Porém naquele lugar

logo um bambuzal cresceu

e o vento pôs-se a anunciar:

o que o cabeleireiro escondeu.

 

O reino todo ouvia

O vento do bambuzal

E o que ele dizia

Virou o assunto geral.

 

Midas tem orelhas de burro!

O segredo foi desvendado.

Midas  só não dava esturro

Porque era educado.

 

O rei então fez cortar

o bambuzal delator,

que crescia e voltava a anunciar,

seu segredo, aquele horror.

 

E assim passou a vida

O rei da Frigias, na história.

Quem quiser conte em seguida,

Outro fato de memória.

 

 

Site consultado: https://www.recantodasletras.com.br/infantil/4973288

Visita em 22/10/2020

 

sexta-feira, 16 de outubro de 2020

A BELA E A FERA

 

“A Bela e a Fera foi escrita na Idade Média, pela francesa Jeanne-Marie Leprince de Beaumont. (...), mas isso é o que os adultos querem dizer às crianças para discipliná-las. A Bela e a Fera é uma história sobre a síndrome de Estocolmo. A Fera vive sozinha no castelo por causa de uma maldição. Ele faz um refém no castelo, chamada Bela, e alicia sua vítima. Esse é o tema. A Fera é egoísta e trata mal a Bela. Então, fazer algo gentil raramente e sorrir brevemente para ela é suficiente para comover a moça ingênua. Sim. A Fera é solitária. Devo reconfortá-lo com o meu amor. Só eu posso mudá-lo. Era um delírio da Bela.”

No oitavo capítulo da série Tudo bem não ser normal a história da Bela e a Fera dialoga com uma situação do hospital psiquiátrico presente na trama. Uma das internas é uma mulher que apanhava do marido. O marido aparece para visitá-la e tenta a agredir e causa uma grande confusão. Ko Moo-yeong interfere na briga e acaba sendo agredida pelo homem. Gang-tae ao ver a situação, perde o controle, e bate no visitante. A situação fica complicada para Gang-tae, funcionário do hospital, que acaba recebendo uma punição por sua atitude.

O que é possível perceber nesse episódio é o alerta para a violência dos homens contra as mulheres. Mulheres que de certa forma acabaram por aprender a ser “fiel” ao companheiro e que, por isso, não conseguem sair da situação de abuso e violência gerada. As mulheres precisam perceber que a violência não é algo normal e natural e precisam sair de situações abusivas a que acabam se permitindo viver. O alerta é tanto  para a violência física quanto para a psicológica.

 

 

 

 

 

sexta-feira, 9 de outubro de 2020

O CÃO ALEGRE

 

“Era uma vez um cão que sabia esconder muito bem suas emoções. Ele ficava amarrado sob uma árvore de sombra. Ele sempre abanava o rabo e era fofo. Por isso, era chamado de ‘O Cão Alegre’, tão alegre quanto a primavera. O cão sempre se divertia muito com as crianças do vilarejo. Porém, toda noite, ele gemia e choramingava quando não havia ninguém por perto. Ele chorava porque queria se soltar e correr livremente no campo florido. Mas ele não podia. Por isso chorava todas as noites. Todas as noites. Um dia, uma voz dentro dele perguntou ao Cão Alegre: ‘Por que você não corta a coleira e foge?’ E o Cão Alegre respondeu... ‘Estou amarrado há muito tempo, então não sei como me libertar.’

O Cão Alegre é a história compartilhada no sétimo capítulo da série Tudo bem não ser normal. Uma história simples que carrega uma grande lição. Quando se está preso por muito tempo é bem difícil se livrar das “amarras”. Sejam costumes, comportamentos, tradições ou o que for, romper é uma atitude corajosa que vem muitas vezes acompanhada pelo medo e pela dor.  O Cão Alegre vivia aparentemente feliz. Viver de aparência é o problema nessa situação. Às vezes é preciso mudança. Deixar as aparências de lado para ser verdadeiramente feliz e alegre.

Neste episódio Ko Moo- yeong é atormentada de noite por um pesadelo. Gang-tae vai até o quarto dela para ajudá-la porque escutou ela gritando. Ela muito assustada o manda correr e fugir dali. Ele permanece firme e declara que não a deixará. Naquele dia Gang-tae faltou ao trabalho para cuidar dela. Faltar ao trabalho foi uma atitude ousada para o personagem que sempre age de maneira correta e cumpre seus deveres. Com essa atitude ele se mostra como alguém que conseguiu “romper” ,ainda que bem pouco, as cordas que o prendem.

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

O SEGREDO DO BARBA AZUL

 

“Era uma vez um conde que tinha a barba azul e vivia sozinho em um enorme castelo. Ele era muito rico, mas todos o evitavam por medo de sua barba azul. Mas um dia, uma mulher pobre veio ao castelo e disse que queria ser sua noiva. Cheio de alegria, o Barba Azul trouxe todas as joias e tesouros de cada cômodo e deu de presente à sua esposa. Ele impôs só uma restrição. O quarto no porão. Ele a advertiu que nunca entrasse naquele cômodo. Mas, um dia, a esposa curiosa abriu a porta secreta sem contar ao marido. Cadáveres de mulheres estavam expostos nas paredes. Eram as esposas que haviam ignorado a advertência e aberto a porta. Esse tinha sido o fim delas. O Barba Azul arrastou sua esposa para o porão e a decapitou. Mais uma vez, o Barba Azul ficou sozinho.”

O segredo do Barba Azul é a história contada no sexto episódio da série Tudo bem não ser normal. Essa história gera questionamentos e reflexões nas personagens Ko Moo-yeong e Moon Sang-tae.

Ko Moo-yeong relembra um episódio da infância quando questiona sua mãe do porquê de Barba Azul ter matado as esposas dele. A mãe responde que é porque foram desobedientes e a aconselha a nunca ser desobediente.  A obediência é um valor a ser observado, entretanto é complicado exigi-la devido ao medo de uma punição. Em relação a figura das esposas representadas na história é ainda mais complicado. Deveriam ser obedientes, “submissas”, aos maridos sem nem questionar o porquê daquela atitude? Como conviver com o outro diante de um segredo que compete somente a ele? Essa obediência cega não faz bem a nenhuma das partes.

Moon Sang-tae pergunta ao irmão o motivo de Barba Azul viver isolado em um castelo. Recebe a explicação de por ser ele diferente, ter a barba azul, precisava viver isolado. Sang-tae questiona então se quem é diferente deve ser isolado. É uma reflexão a ser feita por nós. Por ser um personagem com necessidades especiais somos pegos de surpresa e sacudidos a refletir sobre essa questão. É bem claro em nossa sociedade a necessidade de inclusão do diferente. Percebe-se um esforço para que a inclusão aconteça, contudo não é tão simples. Facilmente o preconceito aparece em situações em que o surge o diferente.