“Era
uma vez um conde que tinha a barba azul e vivia sozinho em um enorme castelo.
Ele era muito rico, mas todos o evitavam por medo de sua barba azul. Mas um
dia, uma mulher pobre veio ao castelo e disse que queria ser sua noiva. Cheio
de alegria, o Barba Azul trouxe todas as joias e tesouros de cada cômodo e deu
de presente à sua esposa. Ele impôs só uma restrição. O quarto no porão. Ele a
advertiu que nunca entrasse naquele cômodo. Mas, um dia, a esposa curiosa abriu
a porta secreta sem contar ao marido. Cadáveres de mulheres estavam expostos
nas paredes. Eram as esposas que haviam ignorado a advertência e aberto a
porta. Esse tinha sido o fim delas. O Barba Azul arrastou sua esposa para o
porão e a decapitou. Mais uma vez, o Barba Azul ficou sozinho.”
O segredo do Barba Azul é a história contada no sexto episódio da série Tudo bem não ser normal. Essa história gera questionamentos e reflexões nas personagens Ko Moo-yeong e Moon Sang-tae.
Ko Moo-yeong relembra um episódio da infância quando questiona sua mãe do porquê de Barba Azul ter matado as esposas dele. A mãe responde que é porque foram desobedientes e a aconselha a nunca ser desobediente. A obediência é um valor a ser observado, entretanto é complicado exigi-la devido ao medo de uma punição. Em relação a figura das esposas representadas na história é ainda mais complicado. Deveriam ser obedientes, “submissas”, aos maridos sem nem questionar o porquê daquela atitude? Como conviver com o outro diante de um segredo que compete somente a ele? Essa obediência cega não faz bem a nenhuma das partes.
Moon
Sang-tae pergunta ao irmão o motivo de Barba Azul viver isolado em um castelo.
Recebe a explicação de por ser ele diferente, ter a barba azul, precisava viver
isolado. Sang-tae questiona então se quem é diferente deve ser isolado. É uma
reflexão a ser feita por nós. Por ser um personagem com necessidades especiais
somos pegos de surpresa e sacudidos a refletir sobre essa questão. É bem claro
em nossa sociedade a necessidade de inclusão do diferente. Percebe-se um
esforço para que a inclusão aconteça, contudo não é tão simples. Facilmente o
preconceito aparece em situações em que o surge o diferente.
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