sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

EM BUSCA DA FEIÇÃO REAL

 

“Era uma vez um castelo numa densa floresta. Lá viviam três pessoas cujos rostos foram roubados pela Bruxa Sombria. O menino usava uma máscara com um sorriso estranho. Havia uma princesa, que era agitada, mas vazia por dentro, e um homem, que estava preso em uma caixa. Não conseguiam fazer expressões porque suas feições tinham sido roubadas. Não entendiam os sentimentos um do outro, então sempre se desentendiam e brigavam.

 O Homem Caixa falou: ‘Se quisermos parar de brigar e encontrar a felicidade, temos que recuperar nossos rostos roubados’. Eles entraram em sua van e começaram a jornada em busca de seus rostos. Um dia, se depararam com uma mamãe raposa que chorava, debruçada sobre a neve. O Menino Mascarado perguntou à mamãe raposa: ‘Senhora, por que está chorando?’ ‘Bem, eu vim procurar comida, mas meu bebê caiu das minhas costas em algum lugar na neve!’ As lágrimas da mamãe raposa já haviam secado. Ela gemia e batia no peito. Quando o Menino Mascarado viu aquilo, lágrimas quentes jorraram de seus olhos. A neve começou a derreter rapidamente, e a raposa bebê, congelada sob a neve, logo apareceu.

Os três continuaram sua jornada. Logo se depararam com um palhaço que dançava pelado em um campo de flores espinhosas. A Princesa Apática perguntou: ‘Por que dança com tanto vigor, sabendo que será espetado?’ ‘Sinto que este é o único jeito de fazer as pessoas me olharem. Mas está doendo, e ninguém me olha’. Respondeu. A Princesa Apática entrou no campo de flores espinhosas e começou a dançar com o palhaço. ‘Sou fria como o metal, então os espinhos não vão me ferir’. Quando ela começou a saltitar e dançar, barulhos metálicos começaram a ecoar de seu corpo vazio. Ao ouvir aquele som as pessoas correram para lá. A multidão assistiu àquela dança e os aplaudiu.

 Naquele momento eles começaram uma nova jornada para encontrar seus rostos roubados, e a malvada Bruxa Sombria voltou a aparecer para eles. Ela sequestrou o Menino Mascarado, que chorou pela mamãe raposa, e a Princesa Apática que dançou com o Palhaço. ‘Vocês dois nunca encontrarão seus rostos felizes’. Depois de amaldiçoá-los, ela os trancou em um túnel escuro.

O Homem Caixa encontrou o túnel alguns dias depois, mas a entrada era estreita, e ele não conseguia passar. ‘O que eu faço? Preciso tirar esta caixa da cabeça para entrar no túnel’. Então, a voz do Menino Mascarado o alcançou de dentro do túnel. ‘Senhor, não se preocupe conosco. Fuja para longe. A Bruxa Sombria logo voltará. No entanto, o Homem Caixa reuniu coragem para tirar a caixa da cabeça. Ele entrou no túnel e salvou o Menino Mascarado e a Princesa Apática.

Ao escapar do túnel escuro, os dois viram o rosto do homem coberto de pó e sujeira em vez da caixa e começaram a rir. Eles se acabaram de tanto rir. Enquanto riam sem parar, a máscara do Menino Mascarado caiu de repente. A lata que envolvia o corpo da Princesa Apática também caiu e retiniu. ‘Eu gosto dela’, o Homem Caixa, agora fora da caixa disse sorrindo ao vê-los reencontrar seus verdadeiros rostos... Feliz. Ele está feliz. O que a Bruxa Sombria tinha roubado deles não eram seus rostos de verdade, mas sua coragem de encontrar a felicidade.”

Em busca da feição real é o décimo sexto episódio da série Tudo bem não ser normal. Neste último capítulo da trama é apresentada a história do novo livro da autora Ko Moo- yeong. Nessa nova obra de literatura, a autora resume a história vivida com seus novos amigos, que se tornaram a família dela.

“O que a Bruxa Sombria tinha roubado deles não eram seus rostos de verdade, mas sua coragem de encontrar a felicidade”. O que precisamos para alcançar o que tanto sonhamos é coragem. Às vezes nos prendemos no que é externo, “nossos rostos”, mas o que não está funcionando bem é o que vem de dentro.  O que nos motiva, a nossa “coragem” é que precisa ser resgatada. É importante conseguirmos enxergar, de verdade, o que tem nos atrapalhado de encontrar a felicidade.  

 

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

UM CONTO DE DOIS IRMÃOS

 

“Há muito tempo... Havia dois irmãos pobres que se amavam muito. Um belo dia, na época da colheita, os dois colheram arroz. O mais velho não queria que o caçula ficasse sem arroz, então pegou um saco de arroz à noite e deixou em frente à casa do caçula. No mesmo dia, o caçula também pegou um saco de arroz e colocou em frente à casa do mais velho, pensando que ele precisaria, pois tinha uma família grande. No dia seguinte, quando acordaram ambos perceberam que ainda tinham a mesma quantidade de arroz de antes. Os dois irmãos acharam isso estranho, então deixaram outro saco de arroz na noite seguinte em frente à casa do outro. Isso continuou acontecendo por dias. Moral da história: Irmãos que se amam muito, devem morar juntos, para que não façam trabalhos inúteis.”

O décimo quinto capítulo da série Tudo bem não ser normal conta a história inventada por um dos personagens intitulada Um Conto de Dois Irmãos. Essa narrativa apresenta a preocupação que muitas vezes temos pelos outros. Nos esforçamos para fazer algo para o outro sem levar em conta se ele é capaz de fazer sozinho. Nesse conto um se esforça para atender às necessidades do outro e acabam se envolvendo em “trabalhos inúteis”.

Ao acabar de contar a história é dito: “Não vamos fazer nada que desperdice nosso tempo”. Quando entramos em acordo com aqueles com quem convivemos podemos “dividir tarefas” e ganhar tempo para fazer o que mais gostamos. Não só tarefas práticas, quando conhecemos bem ao outro conseguimos dividir todo tipo de atribuições que possuímos, como demandas psicológicas, físicas, espirituais...

Nesse episódio, Ko Moo- yeong tenta se afastar dos amigos ao descobrir uma situação do passado causada pela mãe dela. Gang-tae insiste em ficar com ela e, de forma surpreendente, expressa seus sentimentos de forma aberta diferente do habitual. Ele chega a segui-la e grita para todos ouvirem: ‘Eu te amo’. É interessante esse desenrolar da trama já que o personagem, até então, reprimia e escondia o máximo possível os sentimentos dele. É bonito perceber que ele foi sensível à demanda dela em ser amada e a atendeu dizendo o que ela precisava ouvir.