“Há
muito tempo, em um castelo nas profundezas da floresta, morava uma princesa que
dormiu por muitos anos. ‘Uma agulha em um fuso a matará’. Essa foi a maldição
que a bruxa malvada jogou na princesa no dia em que ela nasceu. Com muito medo
o rei queimou todos os fusos do reino para evitar a maldição, mas a princesa
acabou furando o dedo no espinho de uma rosa dada a ela pela bruxa disfarçada e
adormeceu. Os contos de fadas nos dizem que nunca podemos escapar do destino.
Isso. O beijo do príncipe. Acho que ele pode quebrar a maldição. Mas não tinha
muitas esperanças. Porque... vou matar esse príncipe.”
A bruxa adormecida, terceiro capítulo da série, faz uma ligação com esse conto de fadas e a história de Ko Moo-yeong. O lugar afastado onde vivia a personagem, quando era criança, era conhecido como castelo amaldiçoado. Quando volta a sua cidade natal é nesse castelo que ela se abriga.
Ko Moo-yeong é convidada pelo diretor do hospital psiquiátrico a dar aula de literatura para os internos. Nesse hospital está internado o pai dela ao qual ela não tem afeição. Ela aceita o convite para se aproximar mais de Moon Gang-tae, ele é enfermeiro do hospital.
Ko Moo-yeong provoca Moon Gang-tae em suas conversas chamando-o de hipócrita. Isso o incomoda e o faz pensar sobre suas atitudes e como tem vivido. Em certo momento ao confrontá-lo ela diz que todos somos hipócritas. Nessa concepção apontada pela personagem: vivemos mentiras para parecermos felizes a todos.
Ko Moo-yeong “sequestra” um jovem paciente, filho de um político, que acaba fazendo um escândalo em um comício do pai. Esse paciente sofria com episódios de mania. Estava agitado e feliz e ela, ao abordá-lo para a fuga, o convida a se divertir. Quando chegam ao comício, ela diz: ´vamos nos divertir aqui´.
Moon Gang-tae é quem a persegue para “resgatar” o paciente fugitivo. Depois de solucionado o caso ele se dirige a ela e diz: ´será que devo me divertir com você? ´. Ko Moo-yeong havia dito que ele deveria se divertir, e isso com as outras provocações feitas por ela, o levou a refletir se deveria mudar suas atitudes, se divertir.
Como
nos outros episódios percebe-se certa “lição” acarretada com o conto de fadas
ou história infantil trabalhada na trama. Dessa vez aparece a figura do
príncipe para salvar a princesa amaldiçoada. Essa visão
de príncipe, que aprendemos desde cedo, muitas vezes prejudica as mulheres com
a construção de um imaginário ideal. Não somente as mulheres, também os homens,
estão sujeitos a depositar no outro suas expectativas e esperança de “salvação”,
esperança de “final feliz”. Nesse episódio percebemos um questionamento a
respeito dessa missão do príncipe com a hipótese da bruxa má o matar. Se o
príncipe não existir, ou vier a morrer, a princesa amaldiçoada viverá para
sempre infeliz? É preciso refletir sobre essa dependência em relação ao
príncipe.
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